Comune di Cornuda
Cornuda é um município (comune) do interior da Província de Treviso, Região do
Veneto, com cerca de 6.200 habitantes, situado à margem direita do grande Rio Piave,
fazendo fronteira com as cidades de Caerano di San Marco , Crocetta del
Montello , Maser , Monfumo , Montebelluna , Pederobba.
Quem nasce em Cornuda é
chamado Cornudese (Cornudesi - plural) em italiano.
O comune é rodeado de colinas, mas há duas delas que são icônicas
para a cidade: La Rocca e Sulder, a cujos pés a cidade foi construída.
- As origens do nome -
A primeira hipótese é que deriva do latim cornua ("chifres"). Outra explicação o liga aos dois
morros, precisamente semelhantes aos chifres. Ainda assim, há quem acredita que
uma alteração de um termo que significa "encruzilhada", por ser o cruzamento
entre duas estradas: a Feltrina e a Piovega, grandes artérias viárias bastante
antigas.
- História –
A civilização humana está aqui desde tempos pré-históricos, por evidências
arqueológicas.
Cornuda desenvolveu-se durante as invasões bárbaras entre os anos 400 e
1000 d.C., acolhendo refugiados de aldeias vizinhas que buscavam uma forma mais
protegida de ataques. Prova da sua importância foi a construção de uma igreja
nos anos 790. É nos documentos referentes a essa construção que primeiro consta
o nome Cornuta.
Desta época é também a construção da fortaleza sob a qual está hoje a
Igreja de Nossa Senhora da Penha (Madonna della Rocca).
Somente no final do século XIV começou mais estabilidade, devido à
conquista de Treviso por parte da Serenissima (Republica
de Veneza). Como para todo o interior do continente, mesmo em Cornuda a
economia agrícola dependia das famílias patrícias venezianas. Desse período são
algumas moradias.
Com a queda da Serenissima sob Napoleão Bonaparte, seguiu-se um período turbulento em que alternavam os governos francês e o austríaco. Passando
definitivamente ao Reino Lombardo-Veneto, em 1848 Cornuda foi palco de uma
batalha do Risorgimento Italiano, com
a vitória do exército austríaco sobre as tropas papais apoiadas por numerosos
voluntários. No entanto, o período da dinastia austríaca dos Habsburg também é
conhecido por fazer algumas das obras que trouxeram prosperidade económica: o
sistema ferroviário foi reforçado, tornando Cornuda um ponto focal para as
conexões entre a Planícies Padana e os Alpes.
- A Batalha de Cornuda –
( A Batalha de Cornuda – de Gaetano Fabris)
A batalha de
Cornuda ocorre nos dias 8 e 9 de maio de 1848 e foi o primeiro ato de guerra pela
independência italiana. A batalha deu-se entre uma legião do exército papal
reforçada por numerosos voluntários, liderados pelo General Andrea Ferrari, e o
exército austríaco liderado pelo General Laval Nugent.
O exército dos Estados Papais possuía 1.000 soldados e 3.000 voluntários,
enquanto que o exército austríaco trazia 22.000 soldados.
O evento teve lugar no noroeste de Cornuda, em uma área montanhosa, na
margem direita do Rio Piave. O exército austríaco havia deixado Viena em
direção a Veneza onde estabelecera a República de San Marco.
Os primeiros confrontos já ocorreram em Pederobba e Onigo, mas as tentativas
de se deter o avanço austríaco foram em vão.
No final da tarde de 08 de maio de 1848 cerca de 19 austríacos foram
capazes de atravessar o rio e tomar posse de duas colinas, mas logo foram
levados de volta.
A batalha recomeçou na manhã seguinte. Imediatamente os italianos
viram-se em apuros e recuaram 500 metros. Enquanto isso, o General Durando
Ferrari alertou que as suas tropas estavam em marcha e viria para ajudar o mais
rapidamente possível.
Durante a espera, Andrea Ferrari decidiu enviar uma carga de 50 dragões
(atiradores de elite); 40 deles foram sacrificados, mas os austríacos,
deslocados, esperaram dar 15:00 para retomar a luta.
Por volta das 18:00 Durando Ferrari ainda não tinha chegado e Andrea
Ferrari decidiu recuar de volta para Treviso. Os austríacos deram tempo para o
inimigo se retirar da então ocupada Cornuda.
- O Carnaval de Cornuda –
Em 2004, vários eventos foram organizados para celebrar o 100º Carnaval
da história cornudese.
- Curiosidades –
* Agostino Zavarise, primeiro Zavarise a chegar ao Espírito Santo em
17/01/1880 com a sua família, tinha 13 anos de idade quando ocorreu a Batalha de
Cornuda, e sua futura esposa, Irene Moretto, por sua vez, 3 anos.
* Giuseppe Zavarise, segundo Zavarise a chegar ao Espírito Santo em
26/02/1892 com a sua numerosa família, tinha 9 anos de idade quando ocorreu a
Batalha de Cornuda, e a sua futura esposa Catterina Masigna Deon, por sua vez, 7
anos.
* Entre os Zavarise capixabas mais idosos é comum a devoção a Nossa
Senhora da Penha, usada até em seu linguajar como uma exclamação. Coincidência
ou não, em Cornuda a igreja mais velha é a Madonna della Rocca (N. Sra. da
Penha), que também vem a ser a padroeira
do Espírito Santo.
* “Crostoi” é pronunciado às vezes pelos imigrantes vênetos no Espírito
Santo como “cróstoli” ou “grôstoli” e chamado pelos mesmos, em português, de
“mentira” ou “cavaco”. É um doce/quitute tradicional tanto em Treviso como no
ES. Há, porém, uma diferença de formato e ingredientes entre o “Crostoi” e o seu
equivalente brasileiro. O crostoli é um doce típico do período carnavelesco veneto:
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Crostoi veneto |
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"Grostoli" capixaba |