Capítulo 06 - Il Comune di Cornuda

Comune di Cornuda

Cornuda é um município (comune) do interior da Província de Treviso, Região do Veneto, com cerca de 6.200 habitantes, situado à margem direita do grande Rio Piave, fazendo fronteira com as cidades de Caerano di San Marco , Crocetta del Montello , Maser , Monfumo , Montebelluna , Pederobba. 

Quem nasce em Cornuda é chamado Cornudese (Cornudesi - plural) em italiano.

O comune é rodeado de colinas, mas há duas delas que são icônicas para a cidade: La Rocca e Sulder, a cujos pés a cidade foi construída.

- As origens do nome -

A primeira hipótese é que deriva do latim cornua ("chifres"). Outra explicação o liga aos dois morros, precisamente semelhantes aos chifres. Ainda assim, há quem acredita que uma alteração de um termo que significa "encruzilhada", por ser o cruzamento entre duas estradas: a Feltrina e a Piovega, grandes artérias viárias bastante antigas.

- História –

A civilização humana está aqui desde tempos pré-históricos, por evidências arqueológicas.

Cornuda desenvolveu-se durante as invasões bárbaras entre os anos 400 e 1000 d.C., acolhendo refugiados de aldeias vizinhas que buscavam uma forma mais protegida de ataques. Prova da sua importância foi a construção de uma igreja nos anos 790. É nos documentos referentes a essa construção que primeiro consta o nome Cornuta.

Desta época é também a construção da fortaleza sob a qual está hoje a Igreja de Nossa Senhora da Penha (Madonna della Rocca).
Somente no final do século XIV começou mais estabilidade, devido à conquista de Treviso por parte da Serenissima (Republica de Veneza). Como para todo o interior do continente, mesmo em Cornuda a economia agrícola dependia das famílias patrícias venezianas. Desse período são algumas moradias.

Com a queda da Serenissima sob Napoleão Bonaparte, seguiu-se um período turbulento em que alternavam os governos francês e o austríaco. Passando definitivamente ao Reino Lombardo-Veneto, em 1848 Cornuda foi palco de uma batalha do Risorgimento Italiano, com a vitória do exército austríaco sobre as tropas papais apoiadas por numerosos voluntários. No entanto, o período da dinastia austríaca dos Habsburg também é conhecido por fazer algumas das obras que trouxeram prosperidade económica: o sistema ferroviário foi reforçado, tornando Cornuda um ponto focal para as conexões entre a Planícies Padana e os Alpes.

- A Batalha de Cornuda –


( A Batalha de Cornuda – de Gaetano Fabris)

A batalha de Cornuda ocorre nos dias 8 e 9 de maio de 1848 e foi o primeiro ato de guerra pela independência italiana. A batalha deu-se entre uma legião do exército papal reforçada por numerosos voluntários, liderados pelo General Andrea Ferrari, e o exército austríaco liderado pelo General Laval Nugent.

O exército dos Estados Papais possuía 1.000 soldados e 3.000 voluntários, enquanto que o exército austríaco trazia 22.000 soldados.

O evento teve lugar no noroeste de Cornuda, em uma área montanhosa, na margem direita do Rio Piave. O exército austríaco havia deixado Viena em direção a Veneza onde estabelecera a República de San Marco.

Os primeiros confrontos já ocorreram em Pederobba e Onigo, mas as tentativas de se deter o avanço austríaco foram em vão.

No final da tarde de 08 de maio de 1848 cerca de 19 austríacos foram capazes de atravessar o rio e tomar posse de duas colinas, mas logo foram levados de volta.

A batalha recomeçou na manhã seguinte. Imediatamente os italianos viram-se em apuros e recuaram 500 metros. Enquanto isso, o General Durando Ferrari alertou que as suas tropas estavam em marcha e viria para ajudar o mais rapidamente possível.

Durante a espera, Andrea Ferrari decidiu enviar uma carga de 50 dragões (atiradores de elite); 40 deles foram sacrificados, mas os austríacos, deslocados, esperaram dar 15:00 para retomar a luta.

Por volta das 18:00 Durando Ferrari ainda não tinha chegado e Andrea Ferrari decidiu recuar de volta para Treviso. Os austríacos deram tempo para o inimigo se retirar da então ocupada Cornuda.

- O Carnaval de Cornuda –

O Carnaval (conhecido como "Il Carneval dei Crostoi") é um dos compromissos fixos no calendário de eventos cornudesi. As primeiras transcrições das festas de carnaval remontam a 1904, tornando-a uma das mais antigas em todo o Veneto. Todos os anos, no Domingo e Terça-feira, carros alegóricos e fantasias de carnaval atraem milhares de pessoas à cidade. Um júri, em seguida, premia o melhor carro e a melhor fantasia.

Em 2004, vários eventos foram organizados para celebrar o 100º Carnaval da história cornudese.

- Curiosidades –

* Agostino Zavarise, primeiro Zavarise a chegar ao Espírito Santo em 17/01/1880 com a sua família, tinha 13 anos de idade quando ocorreu a Batalha de Cornuda, e sua futura esposa, Irene Moretto, por sua vez, 3 anos.

* Giuseppe Zavarise, segundo Zavarise a chegar ao Espírito Santo em 26/02/1892 com a sua numerosa família, tinha 9 anos de idade quando ocorreu a Batalha de Cornuda, e a sua futura esposa Catterina Masigna Deon, por sua vez, 7 anos.

* Entre os Zavarise capixabas mais idosos é comum a devoção a Nossa Senhora da Penha, usada até em seu linguajar como uma exclamação. Coincidência ou não, em Cornuda a igreja mais velha é a Madonna della Rocca (N. Sra. da Penha), que também vem a ser  a padroeira do Espírito Santo.

* “Crostoi” é pronunciado às vezes pelos imigrantes vênetos no Espírito Santo como “cróstoli” ou “grôstoli” e chamado pelos mesmos, em português, de “mentira” ou “cavaco”. É um doce/quitute tradicional tanto em Treviso como no ES. Há, porém, uma diferença de formato e ingredientes entre o “Crostoi” e o seu equivalente brasileiro. O crostoli é um doce típico do período carnavelesco veneto:

Crostoi veneto
                                "Grostoli" capixaba